sexta-feira, maio 20, 2016

Galera nova atualização e digitalização dos croquis de Piraí do Sul, excelente trabalho que o Daniel Covatti realizou.







terça-feira, abril 19, 2016

Impeachment, nova via em Piraí do Sul

Neste domingo, eu, Ítalo, Alexandre, Murilo e o Pc abrimos mais uma via no setor Paraíso, fica no bloco das vias esportivas, a última a esquerda, o nome é impeachment, e a graduação é 7ºC.


quinta-feira, março 17, 2016

O vôo da águia

Após 22 horas de viagem interruptas estávamos mais uma vez no mundo das grandes paredes! Foram dias de discussões, troca de e-mails, fotos e  mensagens até estarmos ali com os binóculos nas mãos tentando achar a melhor linha naquele mar de granito. Quem nos conduziu até ali foi nosso amigo Roberto Telles, escalador local que gentilmente já tinha feito contato com a proprietária do sítio e nos levou até 30 minutos da base da parede.
Com a “pseudo” linha traçada era hora de descarregar o carro e montar nossa nova moradia. Enquanto o Ed  organizava os equipamentos, eu e o Val fomos montando a barraca, esticando uma lona, organizando as garrafas de água, comidas e deixando tudo ajeitado, pois o tempo não estava aquela beleza. Enquanto preparávamos o jantar, mortos de cansado pelas longas horas de estrada, discutíamos qual seria a melhor estratégia: entrar de mala e cuia com hallbags e portaledges ou ir conquistando, fixando cordas e descendo para o acampamento todos os dias. Ficamos um bom tempo ali indecisos, até optarmos por escalar o primeiro dia, ver a qualidade da rocha e qual seria a melhor forma de encarar esta parede.
Às 5 da manhã o despertador insiste em nos dizer que está na hora de começar, acordamos meio sem querer acordar, tomamos o café e às 6 da manhã já nos dirigíamos para o nosso destino com 3 mochilas cargueiras cheias de ferros, cordas e boas intenções. Após uns 40 minutos, dentre estes alguns perdidos por falta de trilha, estávamos na base da parede! Gritei ansioso, olhando ainda de longe que guiaria a 1ª cordada, mas só quando cheguei na base da fissura fui ver que aquilo virava uma chaminé, fenda de corpo, enfim algo meio estranho... me preparo, e com a caderinha carregada de friends saio negociado o início da nossa empreitada. Coloco uma peça e já estou dentro da fenda de corpo colocando o Batman para trabalhar, após muita força saio da fenda como se estivesse virando um teto, a rocha não é aquela maravilha e as lacas vão se soltando, alguns trechos de fenda podre, delicado, peças em buracos, mais a escalada flui e consigo terminar os 60 m iniciais.
Willian no final da 1ª cordada
Com a parada pronta o Val inicia a 2ª cordada, enquanto isso o Ed vem de expresso jumar trazendo uma cargueira de 70 L. A escalada fica mais delicada, mais lacas se soltando e a parada já é um campo minado, com uma chapa a uns 5 m da parada e passagens nada óbvias. O Val vai negociando com umas lacas meio soltas, meio podres, até montar num negativo e chegar uma fenda boa a qual o leva até um gigante off width, após muita luta, suor e algumas quedas o restante da cordada é um desfrute, enquanto ele se organiza pra montar a parada, somos pegos por uma tempestade, muita água, vento e em minutos a parede já tem até cachoeiras, arrumamos tudo e descemos para o acampamento.
Val no crux da 2ª cordada
Após este dia decidimos que devido as chaminés, fendas de corpo, alguns trechos de rochas podre, iríamos trabalhar com cordas fixas no lugar de entrar com portaledges, e que dessa forma poderíamos depois de conquistar, repetir os esticões para ver como ficaram, encadenar e capturar mais vídeos e fotos.
Novo dia e 4h30 da manhã já estamos de pé ajeitando as coisas e saindo antes do sol nascer. Jumareamos 120 m com as cargueiras para fazer a digestão do café da manhã e o Ed se ajeita pra começar o terceiro esticão. Estamos na base da chaminé, a mesma que se via do nosso acampamento, a rocha é sólida e os lances fáceis fazem o Ed ir sumindo do visual, e quando o Val chega a cordada já está quase acabando, grito que falta menos de 5 m e que prontamente me responde que vai fazer a parada num platô.
Mais tarde vimos que não era bem um platô, mas cabia metade dos pés e para minha tristeza o quarto esticão me pertence e a fenda sumiu, só o que consigo é ver uma placa lisa com cristais até onde posso enxergar. Saio em livre, volto pro artificial, bato proteções, passo magnésio, coloco o estribo, como sofro nessas aderências! E a partir daí ainda surge uma águia chilena, que de vez em quando dá uns rasantes quase me matando do coração, consigo passar a parte mais vertical, e a partir daí consigo fazer render e só paro 60 m depois num platô gigante, este sim um 5 estrelas. Já estamos no fim da tarde, o Val vem rápido e inicia o quinto esticão em uma canaleta com uma fenda dentro, que alegria! A escalada vai rendendo, a fenda acaba, passa um lance delicado, ele bate uma chapa, e a águia sempre o acompanhando e dando rasantes, e ao escurecer bate a parada. Nesse meio tempo cogitamos com o Ed de bivacar nesse platô, mas as nuvens carregadas e os primeiros pingos nos fazem descer para o acampamento.
Ed no esticão da 6ª cordada
A noite é só alegria, após um bom dia de trabalho jantamos uma bela macarronada, um bom vinho espanhol e som de viola do nosso amigo Ed, tudo perfeito. Acordamos as 5 da manhã com uma fina garoa e o dia fechado, resolvemos assim nos dar um dia de folga para repor as energias, e o que escalador faz no dia de folga? Pegamos o carro e junto com o Roberto Telles fomos conhecer as montanhas da região, é pedra que não acaba mais! E após um longo dia voltamos recarregados e decididos em acabar o trabalho, com a idéia de bivacar no platô e só descer com a via terminada.
Acordamos as 4h30 e após um café rápido, mochilas prontas, rumamos mais uma vez pra parede. Após um longo jumareio estou com o Ed no final do quinto esticão, a serração toma conta de nós, e aquilo vira uma garoa e para minha alegria descubro que o Ed está com o meu anorak, como é bom se sentir aquecido novamente e enquanto o Val está chegando no final do quarto esticão com a cargueira a chuva já esta grossa, e eu e o Ed estamos rapelando pra se enfiar num buraco que existia a esquerda do platô. Quando chegamos o Val já esta com a casa montada: lona esticada no buraco e então nos amontoamos os três naquele buraco à 300m do chão, um olhando pra cara do outro. Digo que não vou descer pois não quero jumarear de novo, calculamos que temos comida pra dois dias, e tinha que ver a cara de triste do Val quando soube que eu e o Ed tiramos o pão, salame e queijo por causa do peso. Para minha alegria o celular resolve funcionar ali e consigo ver a previsão do tempo que diz que as 9h da manhã  só vai ficar nublado e a tarde teria sol, era umas 7 da manhã, será possível? Sim, era verdade: o tempo foi melhorando e o vento forte que começou soprar começou a secar a parede, aproveitamos pra comer e beber bem, e lá pelas 9h30 o Ed iniciava o sexto esticão, por agarras e às vezes por uma aresta da canaleta a sua esquerda, mesclando chapas e móveis, saindo uma cordada linda e estética, terminando 60 m depois num platô. Vamos para cima novamente, que chegou minha vez de guiar, me ajeito e entre sair por agarras reto para cima opto em pegar uma fenda diagonal a esquerda, fácil e com peças boas. Mas o que é bom dura pouco, começo sentir o cheiro do cume mas quem disse que ele iria se dar assim tão fácil? Novamente lá estou eu numa placa lisa de cristais, bailando com estribos, cliffs, fazendo lances em livre, pisando na chapa pra ficar mais alto... enfim vale tudo nessas horas. Por último bato uma chapa, saio em livre, domino uns caraguatás e a parede deita, foi só correr para o cume, grito para meus parceiros, bato a parada e é só esperar pra comemorarmos. Tiramos fotos, tomamos um suco, biscoitos, e resolvemos descer tentando encadenar as cordadas e fazer fotos e vídeos, pois ainda eram uma da tarde.
Rapelo com o Val, o Ed nos solta a corda e fica lá encima para filmar, então o Val reinicia aquela cordada que eu acabava de ter conquistado. Vai sem problemas pela fenda, entra nos cristais e consegue fazer tranquilamente todos os lances em livre, encadenando assim essa cordada.
Agora é a vez do Ed tentar encadenar a penúltima cordada e eu ficar filmando, também libero a corda para eles e fico só de cima observando o balé do Ed entre bromélias e pequenos cristais, escala com maestria e encadena a cordada com um esticão no final que até eu fico tenso. Uhuh, mais uma! E assim vamos descendo, levando todo nosso material de conquista e repetindo as cordadas, quando já a noitinha deixamos as duas cordadas iniciais para o outro dia. Chegamos acabados no acampamento às 20h porém mais felizes do que nunca, fizemos umas mini pizzas e tomamos um vinho pra comemorar.
Acordamos cansados por volta das 8h da manhã, e após um farto café, ficamos ali olhando a parede e esperando a boa vontade de ir lá fazer as duas cordadas  iniciais. O dia estava lindo e quente e já sentíamos o cansaço dos dias anteriores, subimos por volta das 13 horas até a base, tomamos um suco e entramos num consenso do que levar pra repetir as duas cordadas. Me arrumei e saí com 2 jogos de camalots do .3 ao 6, literalmente pronto pra guerra, o calor tava de matar, fritando os pés, suando sem parar, e lá fui eu negociando aquela cordada novamente e já sabendo os venenos que iria passar. Isso é bom e ruim, acho que foi quase uma hora pra tentar encadenar essa cordada, enquanto do lado o Ed só assistia e filmava minha gemeção, cheguei na parada sem nada, não sobrou nem o cordelete e o mosquete de rosca, que larguei em algum bico para refrescar a mente, ufa!Minha parte estava pronta. O Val veio limpando e se arrumando pra derradeira cordada, só faltava aquela pra cadena, e como o Val mesmo disse já tenso, não tava com vontade de repetir mais de uma vez.
Saiu bailando, carregado até os dentes enquanto eu e o Ed só assistíamos na arquibancada, passou bem a primeira parte, protegeu na base da fenda boa e esticou até a base do off width, até eu e o Ed já estávamos tenso, protegeu e começou o show: geme daqui, reclama dali, não consigo descansar, faz muita força e enfim passa extenuado a pior parte e literalmente sem forças se arrasta até o final da cordada já no por do sol. Enfim armamos os rapéis, limpamos tudo e descemos pela última vez da parede com a sensação de dever comprido. Descemos sem pressa pela trilha, só lembrando dos momentos, dos perrengues, então era só jantar, separar toda a tralha e pegar a estrada novamente, desta vez rumo a nossa casa.
Traçado da via e material utilizado
O nome da via deu-se pela majestosa e linda águia chilena que nos acompanhou nos dias de parede e que por muitas vezes nos assustou com seus vôos rasantes e intimadores.
Fica aqui o meu agradecimento ao Roberto Telles, por sua amizade, hospitalidade e apoio na cidade.
Águia Chilena
Agradeço especialmente a Conquista Montanhismo por todo o patrocínio de equipamentos,  roupas técnicas e materiais utilizados na nossa empreitada, viabilizando assim nossa viagem até a cidade de Afonso Cláudio no Espírito Santo.

Bons ventos, e boas escaladas a todos

Willian Lacerda.



terça-feira, março 18, 2014

Croquis atualizados

Fala galera, como estava meio confuso entender as vias do Morro do Corpo Seco, fiz um "esboço" de todas as vias terminadas ali da frente (na próxima saí a parte de traz do morro, que já deve estar com umas 25 linhas e alguns projetos), como não tenho uma memória daquelas mais, quem sabe nas esportivas tenha colocado uma ou 2 proteções a mais, a parte de proteções em móvel foi o material que utilizamos na conquista, sinta-se a vontade para levar material a mais ou a menos, rsrsrs...a parte da entrada e do acesso continua tudo igual, lembrando que o valor por pessoa agora está R$ 10,00/dia, abraço e boas escaladas.




quarta-feira, dezembro 04, 2013

Vídeo da via Divina Liberdade

DIVINA LIBERDADE

Depois de um longo tempo pedalando, literalmente, hora de começar a colocar as coisas no lugar, e para começar pela primeira aventura do ano, escrita pelo comparsa Ed Padilha.

Conquista da via Divina Liberdade
A Estratégia
Minha história com a Pedra Riscada é antiga. Há uns 10 anos, passei por perto e nunca mais a esqueci. Em 2009, participei da conquista da via Place of Happiness que percorre a aresta norte da montanha. E este ano (2013), durante os treinos na academia de escalada com o Val (Valdesir Machado) que é meu parceiro habitual de escaladas, surgiu a ideia de ir novamente para o leste mineiro. Joguei para ele o plano de conquistar uma via em estilo alpino na Riscada, ou seja, numa pegada, saindo do chão e só descendo depois de bater no topo! Como de praxe, olhamo-nos com aquela cara de alegria e terror ao mesmo tempo, pois sabíamos que seria uma estratégia muito mais arriscada que fixar cordas e retornar ao solo. Dali, pra colocar tudo no papel e planejar nossa próxima empreitada foi um pulo. E foi um pulo também para descobrir que não conseguiríamos carregar tudo sozinhos, pois precisaríamos de muita água e proteções fixas. Bater 100 chapeletas na mão também seria inapropriado, pois calculamos meia hora cada proteção o que nos tomaria em torno de 50 horas! Precisávamos carregar uma furadeira e muitas baterias. Necessitávamos de mais um “insano”, alguém que fosse fortão, pois eu estava em meio a uma crise da minha coluna, e que tivesse experiência e tempo para entrar para a quadrilha. Bastou uma ligação e a resposta do Willian Lacerda foi esta: “não perco esta por nada!”.
A Viagem
Uma semana depois estávamos percorrendo os 1500 quilômetros que separam Curitiba-PR da Pedra Riscada-MG. Fora o combustível adulterado que quase nos deixou na estrada, a Raquel (moça do GPS) ter tentado nos enganar e a dificuldade de encontrar um hotel depois de 20 horas de viagem, chegamos bem na cidadezinha denominada São José do Divino, leste mineiro. Fomos diretamente para a base da parede, caminhando apenas 20 minutos pelo leito de um riacho que passa na base, o que facilitou a coleta da água que levaríamos montanha acima. Decidimos a linha, voltamos ao carro, separamos equipamentos e tornamos a subir. Como ainda era dia, o “metabolismo acelerado” (Val) decidiu que iria conquistar a primeira enfiada da via. E assim o fez, terminando já à noite e tendo as primeiras impressões da Riscada. O Willian nos esperava com o jantar pronto. Percebemos que a sintonia da equipe estava intacta, apesar do tempo que nós três não fazíamos uma escalada deste porte juntos.
O Reboque de Equipamentos
Dia 3 de junho de 2013, iniciamos nossa sanha de acordar às 5 da madrugada. Um balde de café, mochila nas costas e partimos para a grande aventura! Levávamos 200 metros de cordas, 120 chapeletas (proteções para fixar na rocha), furadeira, cinco baterias, 40 litros de água, comida para 5 dias, equipamentos de escalada e o meu violão, obviamente, pois meus amigos gostam de rock’n roll de platô! O plano era: Ed guia, Willian assegura e vai rebocando a carga, enquanto o Val vai puxando água e arrumando as coisas a serem içadas. Parei duas vezes para bater chapeleta (proteção fixada na rocha) na segunda enfiada da via antes de esgotar os 60 metros da corda e bater a parada (parada é o ponto onde nos reunimos para iniciar o próximos trecho, aí bate-se sempre duas proteções).
Enquanto isso, o Willian estava tendo problemas no reboque. Para adiantar as coisas, conquistei o terceiro esticão em solitário usando o gri-gri (aparelho que trava a corda em caso de queda), pois era fácil e com fendas e árvores para proteger em caso de queda. Atingi, desta forma, o primeiro grande platô da via que tinha pelo menos uns 100 metros de extensão e nenhum lugar plano para dormir! Tive de retornar para ajudar meus parceiros, a carga não vinha. Tivemos aí nossa primeira mudança de planos. Não era possível rebocar carga ali, pois a pedra é extremamente abrasiva, cheia de pedrinhas coladas e qualquer tipo de haulbag (bolsa de reboque) enrosca o tempo todo. Dali pra frente teríamos de levar as coisas nas costas.
500 metros em um dia!
Segundo dia de escalada – de café da manhã 180 metros de jumareio (subir pelas cordas) com mochilas insanas nas costas, com todo o equipo e mais água e comida para 3 dias. Havíamos dormido do platô a 150 metros do chão e já tínhamos aberto mais 180 metros acima dele. Assumi a ponta da corda com o Willian me assegurando enquanto o Val ia transportando o restante da carga parede acima. Vertical e delicado se mostrou o sétimo esticão e ainda tive de desescalar um trecho porque a maldita retinida (corda auxiliar) enroscou numas bromélias secas e não consegui puxar a furadeira.
Em seguida o Willian guiou mais uma e aí o sol começou a nos destruir. Na parede a temperatura beirava os 30º C e com ansiedade comecei a guiar o esticão de número 9 que nos levaria a o segundo mega platô da via, onde poderíamos nos abrigar na sombra, pois além do calor tínhamos outro problema que era o consumo excessivo de água. Bati duas chapas no início e a parede deitou, fui escalando rápido e quando faltava uns 2 metros acorda acabou. Gritei para o meu parceiro começar a escalar em simultâneo e rezei pra ele não cair, pois já estava a uns 40 metros acima da última proteção que havia batido. Sombra, ufa! Puxamos todas as cordas, e eu e o Val começamos a fixá-las para cima, escalando pelo platô que era uma transversal montanha acima. O “fortão” Willian assumiu o porteio do restante da carga que não conseguíamos levar.
Quando o sol se escondeu por detrás da Pedra Riscada, pois estávamos na face leste, chegamos ao final do mega platô transversal, na parte em que há uma mata bem grande, e obviamente nenhum lugar plano para dormir... Mas o Val queria subir imediatamente; lembro bem da conversa em que tentávamos fazê-lo parar um pouco e comer algo, mas não conseguimos dissuadi-lo. Escolheu uma bela canaleta formada pela água da chuva, que, na verdade, são os riscos da Pedra Riscada, e lá se foi; no final começou a ter câimbras e não conseguia mais erguer a furadeira. Peguei água, comida, lanternas, chapeletas e lá fui atrás do nosso herói.
Conquistei mais duas enfiadas, as de número 14 e 15, completando 830 metros de via! Rapelamos para dormir no platô, aonde o Willian nos esperava com suco, queijo e cracóvia (tive de abrir exceção ao vegetarianismo), e com uma bela notícia: tinha encontrado um buraco na pedra cheio de água que se acumulou com as chuvas. Já não tínhamos mais o fantasma da falta de água!
O Ataque ao Cume
A paisagem pela manhã foi um presente divino. Mar de nuvens com amanhecer avermelhado. Café da manhã perfeito. E o dia estava mais fresco, com sol entre nuvens. Retomamos o ponto em que havíamos parado no dia anterior, que era exatamente aonde nossa via cruza com a via Bodífera Ilha, primeira rota conquistada na Pedra Riscada.
Apesar de que há uma lenda na cidade de que um grupo de aventureiros locais sem noção alguma de escalada e munidos de uma corda de amarrar vaca, havia atingido o cume antes dos escaladores; mas até hoje não conseguiram provar o feito. Quando a Bodífera Ilha foi conquistada, os escaladores encontraram restos de uma fogueira no grande platô que é usado para acampamento. Isso já seria uma grande conquista, pois para chegar já teriam de ter escalado uns 150 metros de 5º grau sem nenhuma proteção fixa além das poucas arvorezinhas que estão na parede!
Continuando a nossa história, a partir deste ponto, fizemos mais 150 metros de escalada moderada e atingimos o terceiro platozão da parede. Uma nuvem nos engoliu e ficou frio. Peguei a “punta caliente” da corda e tentei escalar rápido, pois não sabíamos quantos metros havia para cima. Só sabia que até ali a via já tinha mais de 1000 metros, fora os trechos de mato que subimos!
Depois de duas chapas, veio a chuva! Não podíamos acreditar, depois de tanto esforço, íamos morrer na praia. Abrigamo-nos sob um toldo de nylon que trazíamos, eram 10 horas da manhã e a canaleta que estava conquistando acabara de se transformar em uma cachoeira! A sensação era de frustração total durante aquela hora que ficamos ali esperando a chuva passar, mas se os deuses da montanha queriam nos testar para ver se merecíamos a honra de abrir aquela via, teríamos de provar a nossa capacidade. Estas situações requerem um pensamento fora do convencional, e assim decidimos escalar com a parede molhada. Só depois de dar a ideia foi que lembrei ser eu quem pontearia!
Foi pavoroso, o pé não parava, a mão deslizava e só tínhamos um cliff de buraco (os cliffs são uns ganchos que usamos para progredir quando não há agarras em algum trecho, fazendo um furo de 6mm e encaixando o gancho ali). Senti-me mal por ter de bater mais chapeletas do que as que teriam sido necessárias. Do alto da última que bati na canaleta pude ver que a parede deitava um pouco e saí em livre. Corda pesando, furadeira pendurada, pedra molhada, tensão total. Eu me agarrando em pedrinhas do tamanho de uma caixa de fósforos e progredindo com minha respiração ofegante, já muito próximo da mata do cume da montanha. Quando bati a parada saiu um solão e em minutos a parede secou, deste ponto ainda subi mais uns 30 metros até alcançar o mato “grosso” e me certificar que este vinha do topo. Gritei: “mata cumbrera uhuh!!!!”.
O topo da Riscada é uma mata fechada e ainda teríamos de caminhar meia hora mais ou menos para atingi-lo. Eu e o Val já tínhamos estado lá e o Willian não fez questão de subir até a “topinha”, como dizem os divinenses, Então, iniciamos os 20 rapéis, pois ainda tínhamos muito trabalho pela frente e estávamos meio receosos quanto ao clima.
O Retorno
Rapelar é o preço que se paga por subir e sempre é o perigo maior de uma escalada. A regra é descer com calma e cada um cuidar dos outros para que não façamos nenhum procedimento errado. Sempre desço na frente, não sei porque, mas meus parceiros acham que tenho memória boa e consigo achar os pontos de rapel (paradas) com mais facilidade. Sempre faço uma cara de quem sabe aonde está indo e eles confiam, apesar de às vezes me perder completamente. Rapéis em diagonal com mochilas de 30 quilos nas costas não é legal, e quando jogamos as cordas e elas formam uma teia nas bromélias é horripilante. Nunca disse tantos palavrões durante uma descida, o melhor teria sido levar uma bolsa para a corda e não atirá-la para baixo. Chegamos à noite no platô 1, a apenas 3 rapéis do chão, mas ali havíamos deixado um monte de peso. Pensei que não iríamos chegar ao chão naquele dia, mas depois de descansar um pouco, tocar um pouco meu violãozinho e de lembrar que no carro tinha muita comida e um chão plano, decidimos deixar a montanha.
A via Divina Liberdade ficou incrível e tem tudo para se tornar a via normal da Pedra Riscada, pois é muito bonita, segue uma linha natural e é relativamente fácil de encontrar, pois possui muitas chapeletas. O rapel é pela via. Deve-se tomar cuidado com as agarras, pois sempre pode haver alguma pedrinha que se descole, teste sempre antes, pois em vias de montanha não se cai!
Como queríamos achar um nome que fosse uma homenagem à cidade mais acolhedora que conhecemos por aquelas bandas (São José do Divino), denominamos a via, por sugestão do Willian, de Divina Liberdade, que é também o nome de uma música do Manu Chao que escutamos durante a viagem! Agradeço a meus parceiros pela vibe incrível e por terem cuidado de mim durante a expedição para que eu não machucasse ainda mais minha “coluninha de vidro”, como eles próprios a chamam. Ao Edimilson Duarte de São José do Divino pela habitual hospitalidade e também às empresas que nos apoiam: Conquista, Território e Snake!
Texto: Edemilson Padilha

sexta-feira, maio 18, 2012

Acesso ao Morro do Corpo Seco – Piraí do Sul


·         Entre no trevo de Piraí do sul, e siga sentido Ventania e Jacarezinho (Pr 090);
·         Zere o odômetro na 2ª lombada, pouco antes do posto Br;
·         Dirija 3,1 km e entre a esquerda na estrada de chão (ponto de referencia: lanchonete Recanto);
·         Continue pelo bairro do Campo Aterrado, e siga sempre pela rua principal;
·         Vire a direita no km 9,3, bem na placa de bem vindos as Santas Missões;
·         Vire a esquerda no km 10,1;
·         Pare no km 12,7, ande 200 mts pela direita e converse com o proprietário Sr. Adão (lembrem-se que 5 reais por pessoa/dia);
·         Continue em frente, passe a porteira e estacione no km 13,1.
·         Coordenadas: 24° 30’ 22” S  -  50° 2’ 24” O